A FUNÇÃO EDUCACIONAL DO DISCURSO EPIDÍTICO NA NOVA RETÓRICA DE CHAÏM PERELMAN: UMA ANÁLISE CRÍTICA DA PRÁTICA PEDAGÓGICA
DOI:
https://doi.org/10.15202/2g0pm352Palavras-chave:
Epidítico, Retórica, Educação, Perelman, ArgumentaçãoResumo
Este artigo investiga a função educacional do discurso epidítico na Nova Retórica de Chaïm Perelman. Parte-se do problema de saber de que maneira a epidítica, tradicionalmente rebaixada à condição de ornamento cerimonial, atua como fundamento educacional da adesão a valores e, por essa via, sustenta a eficácia dos discursos deliberativo e judiciário. A hipótese defendida é que o gênero epidítico não ocupa posição periférica na teoria perelmaniana da argumentação; ao contrário, ele opera no nível em que os valores são reforçados, hierarquizados e tornados compartilháveis, formando disposições de julgamento no interior do auditório. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza teórico-bibliográfica e documental, com orientação hermenêutico-analítica. O corpus primário reúne a obra de Perelman e Olbrechts-Tyteca, textos complementares de Perelman e a tese-base que tematiza a epidítica como fundamento retórico e educacional, em diálogo com autores como Aristóteles, Reboul, Toulmin, Plantin, Rohden, Silveira e Silva Neto. Os resultados indicam que a reabilitação da epidítica só se torna inteligível quando se considera a guinada de Perelman da lógica formal para a argumentação em linguagem natural, bem como sua crítica à tradição que separou racionalidade e valor. Mostra-se, ainda, que a epidítica reforça valores, produz comunhão, organiza o horizonte de aceitabilidade e forma o juízo prático do auditório. Conclui-se que sua função educacional é estrutural para a racionalidade prática perelmaniana, pois prepara o terreno axiológico sobre o qual deliberação e julgamento podem operar. Como contribuição, o artigo propõe uma leitura que reaproxima retórica, formação e vida pública, recolocando a epidítica no centro do debate contemporâneo sobre argumentação.