LIDERANÇA DIRETIVA, GESTÃO PARTICIPATIVA E QUALIDADE DO ENSINO EM ESCOLAS MUNICIPAIS DO INTERIOR MINEIRO: DESAFIOS E PERSPECTIVAS PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA
DOI:
https://doi.org/10.15202/p42zcn43Palavras-chave:
Liderança escolar, Gestão participativa, Qualidade do ensino, Direção escolar, Escolas municipaisResumo
Este artigo analisa a relação entre liderança diretiva, gestão participativa e qualidade do ensino em escolas municipais do interior mineiro, tomando como base empírica quatro unidades escolares localizadas nos municípios de Mercês e Alto Rio Doce, em Minas Gerais. O problema de pesquisa decorre de uma tensão recorrente na literatura: embora a liderança escolar seja frequentemente tratada como fator decisivo para o desempenho institucional, sua eficácia não se explica pela autoridade formal do cargo, mas pela capacidade de articular coordenação pedagógica, comunicação institucional e participação substantiva da comunidade escolar. Metodologicamente, o estudo desenvolve uma reanálise qualitativa e analítico-interpretativa de material empírico previamente produzido por meio de questionários, entrevistas, observação e análise documental, envolvendo diretoras, professoras e alunos. A hipótese sustentada é a de que a qualidade do ensino se fortalece quando a liderança escolar converte autoridade em mediação organizacional, produzindo alinhamento pedagógico, clareza de objetivos e reconhecimento dos sujeitos escolares como coparticipantes do projeto educativo. Os resultados mostram um cenário marcado por ambivalências: a presença da direção é reconhecida, mas convivem com ela dificuldades nas relações humanas, participação limitada nas decisões e comunicação insuficiente da visão institucional. O estudo conclui que a liderança escolar, em contextos municipais de pequena escala, atua menos como atributo individual isolado e mais como processo relacional cuja efetividade depende da capacidade de construir horizonte comum para o trabalho educativo.